A minha vaidade é diferentona!


Fui criada num ambiente simples, bem simples, do tipo que não tinha revestimento no piso. Meus pais foram criados num ambiente ainda mais simples do que o meu. E como costumam dizer os estudiosos do comportamento:
Você é o meio em que vive
O meio em que eu vivia me fez ignorar quase totalmente a questão da vaidade, de querer parecer bonita e de querer chamar atenção por algum motivo. Eu não via as pessoas ao meu redor se maquiarem todos os dias. Um batom e um par de brincos eram usados em ocasiões mais formais, tipo na missa de domingo. E o que eu mais queria vestir era algo que não ficasse me pegando, puxando, penicando ou incomodando de qualquer outra forma que pudesse existir. Quando eu conseguia ficar a vontade eu me sentia bem e ponto. Tudo estava ok. 

Eu cresci, mas a vaidade em mim continuou do mesmo tamanho. Colocava só um anel do dedo indicador pra imitar a Sandy. Quando eu me arrumava pra escola e alguém me elogiava eu ficava meio constrangida. Parecia que eu estava usando um nariz redondo vermelho e estava chamando atenção demais. 

Cheguei na pré-adolescência e comecei a comprar alguns itens aqui e ali que me agradavam. Mas sempre vinha alguém pra me dizer que aquilo era cafona, impróprio pra ocasião, que tinham coisas mais bonitas para escolher e por isso eu fui me afastando cada vez mais da vaidade comum. Afinal, quando eu não me aprontava ninguém falava nada pra mim. Interior é assim mesmo e apesar de eu ainda não ter consciência disso naquela época, eu já tinha a essência de simplesmente querer seu eu mesma, independente do fato de agradar as pessoas ao meu redor ou não. Se eu estivesse contente com o que via no espelho era só o que importava. 

Mas a essência de querer seu eu mesma significava que eu queria ter liberdade para me descobrir, me entender e querer o que o meu coração apontava. Não queria tendências. Não queria saber o que chegaria na próxima estação. Só queria usar o que eu quisesse, mesmo que fosse comprado na feira semanal da minha cidade. 

Uma vez uma colaboradora da minha equipe questionou o fato de eu ser supervisora e ainda usar uma piranha de plástico neon no cabelo. Eu respondi que o que fez eu chegar até ali foi o meu trabalho, minhas ações, o que eu criei e cuidei por dentro e não por fora. Essa foi a minha prioridade desde que eu me entendo por gente. E cada um pode ter a prioridade que escolher, que te faça mais feliz. Aquela foi a minha e, infelizmente, não era compreendida pela maioria. Eu já tinha minha faculdade, minha moto, meu cargo legalzinho com uma mesa bem grande pra mim. E quando não estava no trabalho eu tinha meus CD´s, meu livros, minhas pelúcias, que meses depois eu iria me desfazer por conta de uma alergia, minhas revistas e um violão preto. Essas coisas bastavam pra mim. 

Hoje eu tenho um kit bem minimalista de makes (mostrei neste vídeo). E o meu maior prazer é acordar e decidir que vou me maquiar por que passei a gostar disso e não por que a maioria das mulheres da minha idade faz isso. Minha maior felicidade é, também, acordar e decidir que vou sair na rua de cara lavada e o meu maior constrangimento será lembrar que não passei protetor solar. Ser eu mesma é o maior prazer do meu mundo, é minha maior vaidade. 

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