As palavras têm poder!


Quando olho pra essa foto... 
Nossa, não consegui completar a frase aí de cima. Não é por que eu esqueci o que estava pensando (e olha que isso acontece com muita frequência). Foi mais por que eu não consegui descrever o que sempre sinto quando olho pra ela. 

Pra quem não sabe, essa paisagem aí do fundo é o relógio de flores que fica em Genebra na Suíça. Ele simboliza o grande mercado de relógios que existe lá. As cores das flores dele são mudadas 4 vezes ao ano, de acordo com as estações. Um dos pontos turísticos mais visitados da Suíça, sabia? Isso tudo eu li num blog de viagem que nem me lembro mais direito. 

Mas nada disso faz parte da emoção que eu sinto quando boto meus quatro olhos nessa foto...

Quando eu tinha 15 anos, eu vi uma colega do terceiro ano lendo o livro Onze Minutos do Paulo Coelho. Foi um dos livros que mais me tocou durante a minha vida inteirinha. Hoje talvez ele não teria o mesmo sentido se eu fizesse uma releitura (mas talvez eu faça um dia). Mas naquela época, quando eu virei a última página e cheguei na contra-capa eu vi o autor em frente a esse relógio, junto da mulher que o inspirou a escrever toda a história, cujo nome eu também nem me lembro mais direito. Eu só pensava uma coisa: Um dia eu vou ser fotografada em frente a esse relógio!

Eu cheguei a falar isso várias vezes. Não pras pessoas! Elas não entenderiam, nem acreditariam que um dia poderia se tornar real a minha intenção. Falei só pra mim mesma. Mas falei em voz alta. Falei em frente ao espelho olhando nos meu olhos. Falei em frente ao computador vendo as fotos do lugar. Falei no escuro antes de dormir. Falei no banho. No ônibus. Eu repeti isso tantas vezes, até o universo ouvir e fazer alguma coisa pra que isso um dia acontecesse.

Algum tempo depois, uma prima se mudou pra Genebra. Uma mudança jamais cogitada na história da minha (grande) família. Ninguém jamais imaginaria que ela fosse morar lá (beijo Lu). Mas ainda não era suficiente pra eu estar lá, em pé, com vergonha dos turistas passando, sorrindo pra câmera que registraria esse momento. Faltava dinheiro. E também um pouco de fé da minha parte, de que isso realmente aconteceria. 

Alguns anos depois, minha madrinha simplesmente teve condições de me dar passagens de ida e volta para 26 dias na Europa, mais especificamente, em Turim. Mas, graças aos pausinhos que minha outra prima mexeu, a viagem se estendeu a París, Roma, Alessandria e, adivinhem, Genebra! Tantos anos (5 na verdade) se passaram que eu já, meio que, nem me lembrava mais direito do tal relógio da tal contra-capa que havia me marcado tanto. 

Mas, no momento em que me vi pisando na frente dele, meu corpo inteiro ficou arrepiado. Ele nem tava tão lindo e florido, como no dia em que as flores são trocadas. Mas eu não me importava, não estava nem aí! Eu só conseguia pensar naquele livro, no homem de cabelos brancos e na mulher que soprava inspiração pro Autor. O universo me deu de presente algo que eu tanto sonhei. Eu mal conseguia acreditar. Ou melhor, só havia uma coisa em que eu acreditava naquele momento: As palavras têm poder!

Basta dize-las não só para o mundo, mas para si mesmo.

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