sobre a chuva

chove
farra de mosquitos brincando em meu quarto
refugiados de uma guerra aquática e de ventos desvairados
lá fora
e aqui desse lado da janela
tudo borra-se como um transformador de matéria esponjosa
embaça a visão
e meus 70% de água confundem-se
em milímetros de escassez ou profusão de sentimentos
o nítido torna-se vago
o corpo, lasso
tento respirar aqui de meu escafandro
minha pele desfaz-se
com as gotas que nada aspiram
além
de
cair
como se ordem suprema as ordenasse
que chover nas plantas
ou furar o bloqueio do vidro
missão de vida ou morte fosse
de qualquer suma importância
eu acho graça
do canto da boca, um traço
a chuva intermitente me faz contente
acolhido, aprecio
e, talvez, ganhe o embate.

[Daniel Granato]

2 comentários:

  1. Olá, passando para prestigiar o seu cantinho e informar que selecionei o seu blog para uma TAG + selinho. Espero que goste!!!

    Beijokas!!

    http://lucyemascarenhas13.blogspot.com.br/2013/03/tag-segundo-selinho.html

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    1. Vou fazer em forma de vídeo desta vez.

      Obrigada por indicar ♥

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