Medos de uma quase moça de família


Eu estava aflita com aquela pequena discussão que tivemos há algumas horas pra decidir onde ficariam os móveis da cozinha. Realmente não é fácil chegar a essa tal "decisão em comum acordo". Eu pensava na decoração cor de rosa e você na decoração do Corinthians. 

Pra completar, o calor não ajudava. Por isso pedi que me levasse embora. Só precisava de um bom banho e me deitar no escuro pra relaxar. Mas ainda não havia acabado. Percebi que tinha esquecido de passar meu uniforme pro outro dia. Mas e o banho? E o meu travesseiro fofo? Ah, eles tinham que esperar, por que, pelo que eu me conheço, eu não teria coragem suficiente pra acordar mais cedo, em plena segunda, e passar todas as cinco camisetes brancas. Geralmente minha mãe é que faz isso pra mim, mas essa semana foi bem corrido pra ela, e eu acabei ficando com essa tarefa. Pensando melhor, ela faz quase tudo pra mim, até um Miojo com azeite se eu pedir ela faz. Lavar as roupas? Acho que só uma vez é que precisei fazer isso na vida e, infelizmente, acho que deu errado. Acho que a pouca espuma contribui pra esse infortúnio. Fora o fato de eu ter medo de usar a panela de pressão. Uma vez quase explodi a cozinha tentando fazer macarrão com creme de leite...

Como consegui ir tão longe com essa situação? Aliás, como consegui ficar parada no mesmo lugar todo esse tempo e não ter aprendido quase nada sobre assuntos domésticos? 

Minha avó sempre diz que a necessidade faz o sapo pular. Mas será?

Nossa, quando terminei a última peça resolvi pegar a toalha e entrar no chuveiro, até que... Vi o estado crítico das minhas unhas. Oh my God, como eu poderia ficar mais um minuto naquela situação? Mas precisava tanto do banho... o calor do ferro a vapor me fez suar como numa aula de jump. Sem conseguir pensar muito bem por causa da hora (já era quase meia noite) eu liguei o chuveiro. A unha ficara pra depois... 

Quando finalmente consegui me deitar, olhei no relógio. Caraca, já passava de 1:00 a.m. Alonguei bem os dedos para o esmalte vermelho terminar de secar e os coloquei sobre minha barriga coberta pelo lençol. Fiquei pensando em como seria diferente minha rotina após o casamento (que está vindo numa Ferrari de fórmula 1). Como eu teria que me organizar, me policiar, me dedicar, ceder e sei la mais quanta coisa estaria por vir.

Senti a falta do celular, que sempre fica perto do meu travesseiro. Nossa, ele ainda estava guardado na bolsa. Cuidadosamente eu o resgatei e vi duas chamadas não atendidas há algumas horas atrás. Meu bem havia ligado... Fiquei com vontade de retornar, mas lembrei que ele demora a voltar a dormir. Senti um aperto de vontade de ouvir a voz dele... Mas me veio a mente: Não preciso ter pressa, pois quando casarmos seremos um do outro para sempre e eu poderia sentir a respiração dele no meu pescoço todas as noites. Só isso já fazia valer a pena todo o esforço que me amedrontou há alguns minutos

Desliguei a luminária e nem vi quando, exatamente, eu peguei no sono... Talvez uns 20 ou 30 segundos depois... 

2 comentários:

  1. Olá florzinha =) Td bem?

    Nossa vc que escreveu esse texto? adorei!!!
    já estou seguindo seu blog , vi lá no grupo morando sozinha ... te convido p/ seguir e conhecer o meu tb!! se quiser hehehe

    www.blogqueroserryca.com

    Bjão

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    1. Sim, sim... Ficou grande né?!

      Claro, vou retribuir.

      Obrigada pela visita.

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