Gabriela


Ontem estava tão cansada que puxei o ronco no sofá mesmo durante todas as novelas da Rede Globo. E fui acordada pela minha mãe no momento em que ela e meu pai iam se recolher, coincidentemente na hora que estava começando Gabriela. E por mais cansada que eu estivesse nesse momento eu fiquei ligada, o sono desapareceu e eu acabei assistindo a novela.

Comecei a me ver vivendo na época que se passa a trama, e fiquei extremamente grata por ter nascido no finalzinho século XX, num período em que as mulheres já estavam tão avançadas no quesito independência. Jamais agüentaria estar casada com alguém como o Coronel representado de forma tão brilhante por José Wilker. Me vi quase soltando uma lágrima no momento em que a Sinhazinha (Maitê Proença) chorou ao ouvir a pergunta do médico. E o voto? Não, não era coisa pra mulheres. O nosso dever (na época) era somente cuidar da casa e do marido. Beijos românticos? Nem pensar! Isso era coisa de moça que não se dava o respeito, não tinha virtude, honra. Tanta repressão entristece... Essas moças eram certamente minhas avós, bisavós... Talvez não existisse motivação de viver! E a felicidade que pensavam ter, em minha opinião era insuficiente!
Certa vez eu li um artigo sobre a Síndrome de Gabriela. Falava das pessoas que tinham tanta resistência à mudança, por causa da música:

Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim...♫

E mais uma vez, pude sentir o valor de ter nascido nessa geração e não ser como a Gabriela cantada por Dorival Cayme.


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